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05/12/2002: 

A Feira também é das crianças

Quem passou pela Área Infantil da 48ª Feira do Livro de Porto Alegre pôde conferir a quantidade diária de crianças visitando os estandes de livros. Acompanhadas de professores ou dos pais, elas já se consolidam como freqüentadoras assíduas do evento e nos fazem lembrar um pouco da nossa infância.

Na minha época, eu entrava no mundo fascinante dos livros na biblioteca do colégio. Adorava o ambiente colorido, as almofadas e, claro, a variedade de livros. Hoje as escolas estimulam a visita a esta já tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, e as vantagens são muitas. Através do contato com os livros, com os autores e com o teatro, os pequenos desenvolvem aptidão para a leitura e para a escrita.

Quais são os livros preferidos? Não é difícil descobrir... basta prestar atenção nos olhinhos atentos às figuras coloridas dos livros, e nas mãozinhas tateando as páginas cheias de aventuras. Entre a lista dos mais vendidos, "100 magias para conquistar milhões de amigos”, da Disney, editado pela Edelbra, ficou em primeiro lugar. “Escola mágica”, de Donaldo Bucheitz, da Editora Ciranda Cultural, situou-se na segunda posição. Volumes do Harry Porter também não deixaram de figurar na lista. As crianças referiam que os prediletos eram os livros com animais e dinossauros. Alguns ainda citavam as enciclopédias, mostrando que têm curiosidade pelo mundo ao seu redor. 

Uma série de atividades foi promovida para a criançada desenvolver o gosto pelo mundo da leitura e da cultura. Seja através dos livros, do teatro ou das imagens, a programação permitiu que as crianças fossem levadas para a literatura, com toda a fantasia a que têm direito. Elas até puderam bater-papo com os escritores de livros que já leram ou ainda pretendem ler, coisa rara para nós. Em geral, os adultos colocam os autores em um pedestal, como se eles estivessem longe da nossa vida rotineira. As crianças, como sempre, tratam esta relação com muito mais naturalidade. Entre os escritores que participaram do projeto "Autor no Palco",  estiveram: Carlos Urbim, Marô Barbieri e Ziraldo. O teatro, a expressão da voz, e o estímulo à reinvenção das histórias animaram a garotada. No caso do "Colcha de História", as crianças interagiram com atores dando rumos diferentes às histórias, enquanto o palco de teatro da área infantil exibiu um total de 33 espetáculos. Peças como “Pé de Pilão”, “A Roupa Nova do Rei” e “A Menina da Biblioteca” divertiram e fizeram sucesso também entre os adultos. 

Mas quem disse que a Feira era somente para os que podem comprar os livros? Pelo terceiro ano consecutivo, o "Projeto Asteróide" integrou os meninos de rua ao ambiente de efervescência cultural do evento. Para mim, esse programa merece todo destaque. Durante a Feira, sempre ficava observando os meninos de rua andando pelos corredores das barracas e olhando seus livros, certamente sem entenderem muito bem para quê tudo aquilo. É também provável que muitos leitores tenham estranhado esses pequenos "intrusos". Agora, de meros expectadores, passaram a fazer parte  efetiva do evento. Com o apoio de empresas privadas e da Brigada Militar, diariamente cerca de 70 crianças de rua, que das ruas fazem suas casas,  foram alimentadas, participaram de atividades de integração, desenharam e ouviram historinhas. A Brigada Militar levou policiais a paisana para interagir com os meninos e propor uma relação de amizade entre eles. 

A cada ano, a Feira do Livro cresce mais e estimula os leitores e os profissionais da escrita. Para as crianças, o evento pode representar um universo cheio de fantasias e significados novos. Para os cidadãos, a Área Infantil pode ser a iniciativa que vai gerar os leitores (e quem sabe até os escritores!) do futuro.  

Algumas imagens da 48a. Feira do Livro: 

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(Lilian Piraine Laranja)