Apoios:

Esta crônica:                                                           

Outras crônicas:                       

27/05/2002: 

QUEM SÃO OS HOLANDESES? 

É muito bom viajar, conhecer a história, a paisagem, os sabores de outro país. É fácil apreciar um museu, visitar uma igreja antiga ou um lugar histórico. Mas é difícil conhecer a alma de um povo. Para mim, os holandeses ainda têm o ar misterioso de quando cheguei há três semanas atrás.

Fico observando as pessoas… a maioria com a pele clara, os olhos azuis, altas. Os imigrantes também trouxeram raças e cores diferentes ao país; são árabes, negros, asiáticos. Gosto de escutar as pessoas conversando em sua língua indecifrável e ficar imaginando do que estão falando. Me pergunto, o que elas pensam, como agem, que valores têm. Afinal, que cultura é essa?

Acredito que os holandeses realmente são pessoas contraditórias, como a própria Holanda no conjunto também parece ser. Um país carregado de história e de arte. De certa forma, um país poético, na sua arquitetura, nos seus moinhos, nas flores, nas bicicletas. Por outro lado, a liberdade e a vanguarda são muito marcantes aqui. Quem vai a Amsterdam, se impressiona com a naturalidade com que as pessoas convivem com o sexo e com as drogas.  Com certeza, esse é um aspecto da cultura muito mais vendido para os turistas. É o que torna Amsterdam única e, por isso, tão atrativa. Nas outras cidades da Holanda, esse ar liberal não é tão forte.

 A Relação entre homens e mulheres

Conversando com pessoas que já estão aqui há mais tempo, procuro entender e captar suas impressões do povo holandês. Os homens são unânimes em referir que as holandesas são muito mais independentes. Quanto a isso não tenho dúvida mesmo. As holandesas não gostam de receber flores, de galanteios e cavalheirismos, romantismo nem pensar. Não é contraditório uma mulher não gostar de receber flores no país das tulipas? Não gostar de ser galanteada no país dos diamantes?  E o que dizer das “dutch parties”? Dizem que nas típicas festas holandesas se encontra homens fumando e bebendo juntos, enquanto as mulheres se reúnem em outro canto e lugar. Particularmente, nas festas em que fui não encontrei isso; eram festas muito animadas, sem tal distância entre homens e mulheres.

Em geral, acho que os holandeses se divertem com os seus amigos e amigas mas sem obrigação de estabelecerem relações amorosas. Os homens holandeses não sofrem a mesma pressão dos brasileiros, de terem  que provar sua masculinidade, de serem conquistadores. Observa-se maior igualdade na relação entre os sexos aqui. 

E as amizades…

Os holandeses são pessoas fechadas? Já ouvi que sim. Não são pessoas tão abertas quanto os brasileiros em geral, mas também não são tão fechadas como os alemães, por exemplo, que carregam a fama de serem muito frios. Também ouvi dizer que os holandeses são pessoas muito francas, que não hesitam em falar verdades. Não duvido, pois isso é visível nas relações comerciais. Aqui eles não conhecem a máxima de que o cliente é o dono da razão. Eles são gentis, mas não fazem muitas concessões e agrados; deixam bem claro que se alguém não gostar de algo, também não precisa levar. É difícil classificar tal comportamento como sendo melhor ou pior; mas é bem diferente das práticas e da cultura brasileira. 

Os lazeres e diversões

Os jovens holandeses adoram música eletrônica. Me surpreendi ao saber que aqui é muito comum re-mixarem músicas brasileiras de “bossa nova” com a “batida dance”. O que mais tocam em discotecas é música eletrônica. Nas estações de rádio, as preferidas são as músicas pop, a maioria americanas.

Muito comum e típico aqui são os coffee shops, mas nem  todos vendem maconha. É muito comum ver-se bares ocupando as calçadas com suas mesas e cadeiras, geralmente muito coloridas, dando uma idéia de que ali se vive e se está bem. 

A culinária

Os pequenos bares e restaurantes com culinária internacional estão em todos os lugares e em todas as cidades. A comida é bastante cosmopolita. Eles apreciam muito o molho curry, originário da Índia, que em Londres já é considerado prato nacional.

Na Holanda, os doces Waflesstroopf são bem típicos; são bolachas com diversos recheios; mas também são muito comuns os muffins (uma espécie de bolinho); eles também adoram croissants doces e salgados. Os queijos holandeses são famosos. Nos fins-de-semana, os mercados de queijos pipocam em toda a Holanda e realmente são deliciosos. O tipo mais conhecido é o gouda.

Em virtude da proximidade com o oceano e a abundância de rios, a culinária holandesa também se destaca com os frutos do mar; um dos peixes mais encontrados é o arenque, que comem com cebola, e é vendido em banquinhas de ruas. E assim como na Inglaterra e na Alemanha, as batatas são muito típicas, principalmente batatas fritas com molho de maionese, que também são vendidas em bancas de ruas. 

A Moda

Os holandeses vestem-se de forma bem despojada. Alguns estrangeiros reclamam que as garotas não sabem se vestir, não se maquiam, não se cuidam. Não se deve generalizar, porque se arrumam e se produzem de um jeito diferente de outros lugares, inclusive daqui. Lá é “fashion” ser descontraído, fingir que não se liga para essas coisas. As jovens usam calças mais largas, misturam cores diferentes, vestem vestidos e saias com babados num visual meio hippie. Os homens usam os cabelos despenteados, camisas xadrez com gola desabotoada, estilo meio anos 70, que curtem bastante. Esse é o jeito holandês de ser, independente e liberal. 

Estatísticas gerais

Em área geográfica, a Holanda é muito pequena; sua área é sete vezes menor que a do Rio Grande do Sul. Todavia, ali vivem cerca de 16 milhões de habitantes (1,6 vez maior que a gaúcha). A violência quase não existe. Podem acontecer roubos, mas sem agressão física. Rotterdam é considerada a cidade mais perigosa do país.

No quadro seguinte, apresentam-se algumas estatísticas desse povo tão autêntico e alegre, mas também tão enigmático. 

População

16.132.185

desemprego em relação à população ativa

2,2 %

violência de qualquer tipo,  por ano

5,0 %

saúde – pessoas saudáveis

80,4 %

Fonte:  Statistics Netherlands - Central Commission for Statistics

(Lilian Piraine Laranja)