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19/05/2002: 

AMSTERDAM

Muito já tinha escutado de Amsterdam. Quando contava que iria passar 3 meses na Holanda, algumas pessoas me diziam que eu iria enlouquecer. Eu achava graça, e pensava que não seria muito diferente de outros lugares do mundo. Eu acreditava nisso até esse fim-de-semana, quando descobri uma cidade diferente de tudo que eu já tinha visto, de todos os lugares que já havia visitado. A tão famosa e polêmica Amsterdam. Por que ela é única? Leia esse artigo até o fim e você vai ter uma leve idéia do porquê. Para compreender de verdade, só mesmo estando lá.

Em primeiro lugar, é uma cidade linda. Para cada lugar que se olha, tem prédios bonitos: os  típicos holandeses com fachada estreita, muitas janelas e diferentes cores; e os prédios grandes e históricos, com design meio medieval. Os prédios mais antigos datam do século XVIII. Conhecendo Amsterdam, é possível imaginar como era a vida na época dos reinados. Além dos prédios, a cidade está repleta de canais, que são mais de 100!  Inclusive existe uma certa rivalidade entre Amsterdam e Veneza, ambas disputam o título de mais bonita.

Nos três dias de visita, fiquei andando nas ruas admirando a beleza e a particularidade da arquitetura e das cores. Aliás, os prédios têm uma curiosidade muito interessante. Além de todos serem um pouco inclinados para frente, eles possuem uma espécie de gancho na sua parte superior. A explicação é que, como são muito estreitos, os ganchos são usados (até hoje) para fazer a mudança dos móveis. Outra coisa que me chamou atenção foi a quantidade de artistas de ruas. São estátuas-vivas, sombras, músicos, atores e até cantores líricos.

Além da arquitetura e da beleza da cidade, Amsterdam é repleta de museus. Entre os mais famosos incluem-se o Rijksmuseum, o Museu Nacional, a Casa de Rembrandt e o Museu de Vincent Van Gogh. O Rijksmuseum tem antiguidades e pinturas de artistas holandeses famosos, inclusive o famoso quadro “A ronda da noite”, de Reumbraudt, e o auto-retrato de Van Gogh.

A Casa de Anne Frank é um lugar especial e emocionante. Percorrendo as peças e as estreitas escadas, é possível conhecer os sentimentos e os lugares em que a jovem garota viveu escondida por cerca de dois anos. É possível conhecer a história de sua família e de seu diário. No antigo quarto onde Anne se escondia, ainda estão as fotos de sua coleção de artistas, que ela usou para decorar as paredes. Numa das partes mais emocionantes, o visitante conhece o destino de cada membro da família, que foram para diferentes campos de concentração. Por fim, as comoventes cartas de Otto Frank, pai da menina e único a sobreviver, escrevendo para parentes na esperança de reencontrar Anne Frank. A menina morreu de febre tifóide um mês antes da libertação dos judeus. O museu também mostra vídeos com depoimentos de pessoas que conviveram com ela, inclusive de Otto Frank.

Contrastando com toda essa aura histórica e artística de Amsterdam, está o ar liberal da cidade. Para quem não sabe, na Holanda o uso de drogas leves, a euthanasia e o casamento entre homossexuais são legais. A cidade é repleta de coffee-shops, os bares onde é vendida maconha e o chá de cogumelos, os magic mushrooms, que têm efeito alucinógeno. Por incrível que pareça, os holandeses não são os principais consumidores e reclamam da fama de maconheiros que lhes é atribuída. Cerca de 10% da população fuma maconha. Os principais consumidores são os estrangeiros que visitam ou moram na cidade.

Além do cheiro da erva, que dá para sentir da rua e que é super normal, a zona da “Luz vermelha” é outra atração que só existe em Amsterdam. É um bairro de prostituição que virou ponto turístico. Como tudo na cidade é permitido, a zona é repleta de sex-shops, que não exitam em expôr seus produtos na vitrine. Nos prédios, cada janela vira uma vitrine de mulheres. Elas fazem poses seminuas com trajes, digamos, sugestivos, convidando os homens a entrarem no seu quarto. Mas não pensem que só existem homens no local, inclusive famílias vão conhecer a famosa zona. Uma curiosidade é o museu do sexo (não, não conheci!), é uma escultura do órgão masculino na rua , assim como as formas do corpo feminino esculpidas no chão. Coisas que só se vê em Amsterdam.

Os holandeses são pessoas muito independentes, que acreditam na liberdade. Mesmo que não concordem, eles respeitam o modo de ser alheio. Muitos não são liberais, mas respeitam muito a  vida dos outros. Na discoteca em que fui no domingo, era normal encontrar casais de mulheres e homens homossexuais, e não era lugar típico para gays. As pessoas não ficam olhando e comentando (ou cochichando) sobre a vida alheia,  como no Brasil.

É incrível como se acaba perdendo um pouco do senso do que é certo e errado. Até nas bancas de revistas e souvenirs existem cartões postais “apimentados”, para não dizer outra coisa. Assim é Amsterdam, uma cidade única, com contrastes muito fortes, capaz de realmente enlouquecer a cabeça de qualquer um. Por isso mesmo ela é tão especial e fantástica.

Vale a pena conhecer a vida em Amsterdam, apesar do choque cultural que ela provoca!

Imagens da cidade:

1) garçonete em bar "picante"

2) Vista do canal

3) Vista (a) do passeio de barco

4) Vista (b) do passeio de barco

5) Bar brasileiro

6) Vista do canal principal

7) Koninklijk, Praça Dam

8) Rijksmuseum (a)

9) Rijksmuseum (b)

10) Rijksmuseum (c)

11) Moinho de vento

12) Paisagem

13) Praça Rembrandt

14) Zona Vermelha

15) Rua do centro

16) Centro

17) Bonde

18) Jogo de xadrez

19) Vista da cidade do barco

(Lilian Piraine Laranja)